1.
A ORIGEM DO UNIVERSO
1.1
Brahman
(PARAM BRAHMA,
PARABRAHMA)


O
Brahman é infinito, o universo que é a criação do Brahman também é
infinito e um dia se dissolve no Brahman. O resultado da soma e dedução do
infinito de infinito sempre é infinito.
O único onipotente, onipresente, onisciente, infinito, além do espaço e do tempo é o Brahman. Ele não tem atributos como a forma, a magnitude e as qualidades (Nirguna, Nirakar) e esta além do tempo, do espaço e da imaginação por isso não pode ser descrito com palavras.

Se
todos os oceanos servissem de tinteiro, as montanhas de tinta, o galho da árvore
divina como caneta e a terra como papel, a própria Saraswati (a deusa da
sabedoria) escrevendo o tempo todo, ainda não conseguiria escrever suas
qualidades.
A palavra raiz "brih" significa crescer, aumentar ou expandir e "an" significa produzir então Brahman é o começo que expande e se torna o universo inteiro
Brahman
é o absoluto, supremo, impessoal, infinito, eterno, a fonte pré-cósmica da
divindade, a causa de todas as causas, sem começo e sem fim, do qual todo emana
e ao qual todo retorna. Ele não se manifesta mas está presente no maior corpo
celestial e em também na indivisível partícula em todo animado e não-animado.
Ele é a razão da consciência e da substancia.
Na
literatura védica o Parabrahm é chamado de "tat" – aquele e tudo
que é manifesto é chamado de "idam" – este. A palavra Brahman mais
se aproxima da palavra absoluto. Existe uma diferença entre "Brahman"
e "Parabrahma" – além do Brahman, então tudo aquilo que é além
do absoluto é Parabrahma. Dentro do nosso propósito, no momento nos podemos
desconsiderar esta sutil diferença, assim podendo trocar os nomes com segurança.
Conforme
os textos hindus não existe um conceito de começoou de fim do universo. Se
assim fosse teria uma data marcada para o começo e outra para o fim do
universo. Os textos dizem que o universo segue um processo contínuo de expansão
e retração. Assim, quando o ciclo começa, o universo começa existir,
expande, no fim da expansão começa retrair e se dissolve para começar tudo de
novo. A duração deste ciclo é de 311,04 trilhões de anos que está além da
nossa imaginação por isso para assimilar melhor trataremos o presente ciclo
como único.
Antes
da criação do universo só existia o Brahman na forma não-manifesta e mais
nada, nem espaço e tempo, nem sóis e planetas. Por vontade própria, ele se
manifestou e sua energia operativa entrou em ação começando o ciclo da expansão.
Na opinião de pesquisadores contemporâneos este momento corresponde ao momento
de grande explosão do "Big Bang" – a mais recente teoria sobre a
criação do universo aceita no Ocidente. Esta teoria é bastante conhecida no
Ocidente, por isso, pode ser usada para melhor compreensão do assunto, porque não
é conflitante com o tema, mas sim complementar, oferecendo subsídios
interessantes quando se trata de valores metafísicos.
Em sânscrito, o fenômeno Big Bang chama-se Bindu Visphot, traduzindo literalmente, explosão do ponto.
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1.2 BINDU VISPHOT - O BIG BANG

Nesse
momento, liberou-se enorme quantidade de energia radioativa e vibratória e começaram
existir espaço e tempo. A dinâmica da energia radioativa tinha uma forma típica
que foi denominada na mitologia indiana como "Swastica" e a
energia vibratória foi simbolizada pelo "Om". Esses símbolos
são usados para o bem estar e prosperidade e podem ser vistos distintamente em
todas as cerimonias auspiciosas.
Assim,
começou mais um ciclo de expansão e retração, que não foi o primeiro nem
será o último. Após o fim do ciclo da expansão haverá retração, quando o
universo se dissolverá no Brahman para regenerar de novo.
A evolução
do universo acontece em 14 fases, que são chamadas de Manvantaras, cada
uma com a duração de 4,32 bilhões de anos. Esse período corresponde a um Kalpa
ou um dia do Brahma. A vida do universo é 100 anos ou 36000 dias do Brahma. Um
Manvantar é constituído de 71 ciclos menores – Mahayuga, 4,32 milhões
de anos, mais um período de inatividade de 25,92 milhões de anos formam um Manvantar
e no fim de cada ciclo existe uma devastação parcial.

A primeira
fase da evolução, chamada de Svyambhoo Manvantar, foi precedida por uma
longa noite de energias radiativas e vibratórias. Não havia céu, nem terra,
nem luz, nem escuridão, nada além de absoluto silêncio.
Essa noite
foi seguida por um amanhecer com nevoeiro, que formou um grande disco nebular e
giratório, dando origem as primeiras galáxias. Isso aconteceu automaticamente,
sem uma razão ostensiva, por isso essa fase chama-se Svyambhoo –
"aquele que nasceu por si."
O segundo Manvantar
foi Svarochisha que significa próprio brilho. Nesse estágio, começaram
a se formar os objetos com a própria energia, emitindo luz como nossa estrela,
o sol.
Durante o
terceiro Manvantar – Uttama, o melhor, o sol que tinha brilho próprio
e grande fonte de energia, atingiu a melhor forma e temperatura para criar e
manter sua família de planetas.
A expansão
do universo não pára por aí e com o tempo, o planeta terra foi abençoado
para oferecer condições de gerar várias formas de vida.
Há várias
teorias sobre a evolução do universo mas, a mais aceita, no mundo ocidental e
entre os cientistas, é a teoria do "Big Bang". Ela se assemelha com a
teoria que foi proposta pelos sábios indianos nos tempos antigos, quando não
haviam equipamentos de medição, computadores e telescópios, mas os sábios
tinham desenvolvido outros sentidos e métodos de conhecimento. A proposta acima
é uma tentativa de conciliação entre os dois pontos de vistas.
A teoria
do Big Bang é fundamentada somente nos valores metafísicos mas os hindus
associam a evolução do universo com valores metafísicos e espirituais. Assim,
para eles, a manifestação do Brahman resultou na criação da "trindade
divina".
Adi
Shakti (a energia primordial)
através de seus três principais aspectos – a trindade divina, rege o
universo.
o
Criação por Brahma
o
Preservação por Vishnu
o
Transmutação por Shiva
Fundamentalmente
os três são unos e interdependentes, isto é, um não pode existir sem o
outro, porque são as diferentes formas da mesma energia inicial. O mais
importante é entender os atributos, não as formas ou figuras que foram criadas
posteriormente pela imaginação humana.
A "Trindade Divina" é o fundamento do hinduísmo, todas as outras divindades e deidades são uma ou outra forma aliadas a ela, por exemplo, Saraswati – deusa da sabedoria é esposa do Brahma; Laxmi – a deusa da riqueza é a esposa do Vishnu; Ganesh é o filho de Shiva; Rama e Krishna são encarnações de Vishnu.
ADI
SHAKTI

TRINDADE DIVINA - BRAHMA, VISHNU, SHIVA

1.3 BRAHMA - O CRIADOR

O
Brahma – o primeiro da trindade divina, deu o primeiro impulso na criação do
universo. Tudo que observamos, através dos nossos sentidos, é obra dele.
Cosmologicamente ele é Hiranya Garbha – o ovo dourado, a bola de fogo,
a partir da qual o universo se desenvolve.
Conforme
a mitologia, na forma personificada ele tem quatro cabeças representando o
controle sobre o tempo (quatro yugas) e espaço universal, a moringa na mão
– água da vida, o símbolo da fertilidade e criação; na outra mão, os
quatro Vedas, simbolizando o conhecimento e a consciência.
O tempo de duração da vida do Brahma, inclusive da trindade, é idêntico ao ciclo do universo. Durante esse período, são provocadas varias devastações parciais, que são denominadas como as noites do Brahma e ao acordar, ele começa o próximo ciclo de vida.
1.4 VISHNU - O PRESERVADOR

Vishnu,
vem da palavra raiz "vis" – entrar, penetrar, difundir, e é assim,
que ele sustenta e preserva o universo, integrando-se a sociedade. Ele se
manifestou na terra através de suas nove encarnações, demostrando para a
humanidade a moral e como viver em harmonia cósmica. Rama, Krishna e Buddha são
consideradas suas três últimas aparições na terra.
Nas imagens personificadas, ele aparece com quatro maõs carregando a concha – energias vibratórias, o disco – chakra – o tempo, gada – o terror dos maus, o lótus – amor e fertilidade. Também, aparece deitado nas profundas águas em cima da serpente, demostrando a serenidade, a calma, o ambiente a doméstico, felicidade e o domínio sobre tempo.
1.5 SHIVA O TRANSMUTADOR

O
terceiro aspecto do Trimúrty – trindade divina, é o Shiva, cuja função
é de destruição, como popularmente é conhecido mas o termo apropriado deve
ser regeneração ou transmutação, porque quando as reformas não proporcionam
resultados satisfatórios, o velho deve ser derrubado para dar espaço a um
novo. Shiva, como regenerador, evita e elimina doenças e como transmutador,
eleva o ser aos níveis superiores de consciência. Foi através dele que os sábios
receberam o conhecimento do yoga.
Na
sua personificação, ele é descrito nas várias formas, principalmente sentado
na posição de yogi, emanando paz e tranqüilidade. Os três olhos representam
passado, presente e futuro; a lua crescente, na cabeça, indica o tempo medido
pelas fases da lua; a serpente, na garganta, o tempo em ciclos e a imortalidade
espiritual; a garganta dele é azul, por tomar o veneno para bem da humanidade;
o Ganges, saindo da cabeleira significa a água da vida; o damroo (pequeno
tambor), indica energias vibratórias e o tridente é o terror dos maus
elementos.
1.6 OS CICLOS DO TEMPO
Os menores ciclos
| 60 | Tatparas | = | 1 | Paras |
| 60 | Paras | = | 1 | Vilipta |
| 60 | Vilipta | = | 1 | Lipta |
| 60 | Lipta | = |
1 |
Vighatika |
| 60 |
Vighatika |
= |
1 |
Ghatika |
| 60 |
Ghatika |
= |
1 |
Dia |
Um
dia (24 horas) = 86.400 Segundos = 46.656.000.000 Tatparas
1 Segundo = 540.000 Tatparas
Os
maiores ciclos
| Sat yuga | 1.728.000 | anos |
| Treta yuga | 1.296.000 | anos |
| Dwapar yuga | 864.000 | anos |
| Kali yuga | 432.000 | anos |
| Maha yuga | 4.320.000 | anos |
1
Manvantar = 71 Maha yuga = 71 x 4.320.000 = 306.720.000 anos
14
Manvantar = 14 x 306.720.000 =
4.294.080.000 anos
Um
Kalpa que é um dia do Brahma é composto de 14 Manvantars ou 1.000 Mahayugas.
Antes do primeiro e após cada Manvantar existe um período de 1.728.000 anos
denominados Sandhya e Sandhyamsha (junção) respectivamente. Assim dentro de um
ciclo de 14 Manvantras existem 15 períodos de Sandhyas.
Um
Kalpa = 1 dia do Brahma = 14 Manvantar + 15 Sandhya ( Periodo de Junção)
= 14 x 306.720.000 + 15 x 1.728.000 anos
= 4.294.080.000 + 25.920.000 anos
= 4.320.000.000 anos ou 1.000 Mahayugas
A
duração da vida do Brahma é de 100 anos ou 36.000 dias + 36.000 noites.
(
O ano vedico esta baseado em ciclo lunar, não solar)
Vida
do Brahma = 72.000 x 4.320.000.000 anos =
311.040.000.000.000 anos
Este
período é chamado Maha Kalpa que simboliza a exalação do Brahman; durante a
inalação o universo volta a se dissolver no Brahman completando um ciclo de
expansão e retração.
De
acordo com os modernos cálculos astronômicos baseados nos dados das escrituras
Vedicas nos estamos no 4o Yuga (Kali yuga) que começou no dia 20 de fevereiro
de 3102 a.C., do 28o Maha yuga, do 7o Manvantar (Veivasvat).
Tempo
percorrido no presente Kalpa
(Shwet Varah Kalpa) em
anos humanos
|
Duração
dos 6 Manvantaras |
6 ´ 306.720.000 |
= |
1.840.320.000 |
|
7
Periodos de Sandhyas |
7
´
1.728.000 |
= |
12.096.000 |
|
27
Maha yuga |
27
´
4.320.000 |
= |
116.640.000 |
|
Sata
yuga |
|
= |
1.728.000 |
|
Treta
yuga |
|
= |
1.296.000 |
|
Dwapar
yuga |
|
= |
864.000 |
|
Kali
yuga até 19/02/1998 |
3102+1998 |
= |
5.100 |
|
Total |
|
= |
1.972.949.100 |
1.7 O ESPECTRO ELETROMÁGNETICO

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